top of page
Buscar

Modelo 3D de Planejamento e Controle da Carga do Treinamento Esportivo

  • sjumptest
  • 26 de ago. de 2025
  • 5 min de leitura

Prof. Dr. Leszek Antoni Szmuchrowski Com referência a Prof. H. Sozański e Prof. D. Śledzewski 


Palavras-chave: treinamento esportivo; carga; espaço-tempo-força; física do movimento; controle da carga. 


Resumo

O artigo apresenta a proposta de um novo paradigma para o planejamento e controle das cargas de treinamento, baseado nos princípios fundamentais da física newtoniana. A abordagem tradicional, que utiliza os conceitos de volume e intensidade, abstratos e nem sempre passíveis de medição precisa é substituída por uma abordagem mecânica, na qual espaço, força e tempo assumem papel central. Esse modelo possibilita a codificação dos meios de treinamento, a quantificação de sua aplicação e o controle do processo de adaptação. O artigo também destaca o papel da inteligência artificial e dos sistemas de medição (Jumptest, Sprinttest), que permitem a avaliação contínua da carga e da resposta do organismo.


Introdução histórica

Na literatura da teoria do treinamento esportivo, por décadas prevaleceu o paradigma baseado nas categorias de volume (quantidade de trabalho) e intensidade (qualidade desse trabalho). Embora útil, esse modelo tem caráter convencional e frequentemente apresenta dificuldades de operacionalização. A formulação clássica, desenvolvida por Matwiejew, Sozański e outros, resultou em concepções detalhadas de periodização. Entretanto, o avanço das ciências exatas, das tecnologias de medição e da inteligência artificial permite redefinir o conceito de “carga de treinamento” de forma objetiva, mensurável e inequivocamente física.

Vantagens da substituição do modelo “volume – intensidade” para modelo “3D”.

1. Unidade única → tempo (segundos, minutos, horas) é universal.

2. Coerência física → tempo é componente universal, não depende da modalidade.

3. Integração com intensidade → a carga é sempre função da relação exercício +

intensidade no tempo.

4. Planejamento mais claro → elimina ambiguidade do "volume" , que hoje

confunde técnicos, cientistas e atletas.

Assim, a grande ruptura está em dizer:

"Volume não existe como quantidade genérica - existe apenas a duração do exercício realizado numa dada intensidade."

Fundamentos da física-mecânica do novo paradigma.

O novo modelo apoia-se nos princípios da física newtoniana, segundo os quais cada resultado esportivo é consequência da ação de forças no tempo e no espaço. Nesse contexto:

- Espaço (S) – define a trajetória do movimento, a distância, as direções e os planos de atividade;- Força (F) – determina a intensidade da ação e, por meio da potência, relaciona-se aos custos energéticos do esforço (Métodos de treinamento determinam grau de intensidade)- Tempo (t) – funciona como variável de controle central, permitindo quantificar e comparar cargas. Assim, a carga de treinamento não é mais expressa por volumes abstratos, mas pelo tempo de aplicação de um meio de treinamento codificado, com intensidade definida.

Gráfico comparativo dos termos de componentes da carga. 
Gráfico comparativo dos termos de componentes da carga. 

Estrutura e codificação dos meios de treinamento

Os meios de treinamento constituem a unidade básica do modelo. Cada meio, ou seja, um exercício específico de determinada intensidade é codificado (por número ou símbolo), e sua carga é representada pelo tempo de execução (ex. 23 –180s).



O catálogo de meios pode ser organizado segundo sua especificidade:


- Específicos – reproduzem exatamente os movimentos de competição da modalidade;


- Especiais – exercícios semelhantes a de competição divididos nos partes (complexos), de caráter auxiliar, ex. corrida de balanço,...);


- Direcionados – desenvolvem capacidades necessárias àmodalidade praticada (força específica, resistência, mobilidade);


- Gerais –  com função ampla de desenvolvimento e manutenção dos sistemas locomotor e energético (aeróbio).




Exemplo de uma matriz da distribuição dos meios de treinamento dá uma hipotética modalidade esportiva, permitindo estudos de carga multidimensional, pelo código e valor do tempo (Ex. “Corrida de ritmo”, método intervalado 6x - 30s. Intensidade 4. Cod. Do meio[19.4 – 180 s]).

 Métodos de treinamento para modelo 3D

A Intensidade de carga do treinamento pode ser organizada em métodos metabólicos e métodos de aprendizagem motora (repetição), definidos pela duração do esforço e pela relação intensidade/intervalo. Em geral,definimos métodoscomo contínuos, fracionados e de repetição.

 

1. Método Contínuo

                •             Esforço prolongado, sem interrupção.

                •             Predomínio do metabolismo aeróbio.

                •             Duração: >20 minutosatévários horas.

                •             Intensidade: baixa a moderada (níveis 1–3).

 

2. Método Fracionado IntervaladoExtensivo:

                •             Esforços divididosem series,

                •             Predomínio misto aeróbio e lático.

                •             Duração: 30 s a 5 min. Por repetição e recuperação incompleta (curta).

                •             Intensidade: moderada a alta (níveis 2–4).

 

3. Método Fracionado IntervaladoIntensivo:

                •             Esforços altos, alternados com intervalos mais longos (incompletos).

                •             Predomínio anaeróbio(alático e lático).

                •             Duração: 10 a 60 segundos por repetição.

                •             Intensidade: alta (níveis 4 - 5). Foco na potência.

4. MétodoFracionado Repetitivo:

•             Esforços intensidade máxima, repetido com recuperação total.

                •             Predomínio anaeróbio alático  (ATP-CP).

                •             Duração: 3 a 15 segundos por repetição.

                •             Intensidade: alta (níveis 6). Foco na potênciamáxima.

5. Método de Repetição-aprendizagem:

                •             Esforços repetidos com foco no controle motor.

                •             Função: aprendizagem, técnica e recuperação.

                •             Duração: definida pelo tempo total da prática.

                •             Intensidade: não considerada; foco apenas na duração.

A variável central é o ”tempo”definindoduração da cada meio, que determina os parâmetros de carga.

1. Magnitude – soma dos tempos demeios agrupados por interesse de estudo como intensidade, especificidade, ciclo e permite comparações ente os grupos;2. Estrutura – proporções entre os grupos de meiosnos determinados ciclos (seção, micro, meso e macro ciclo);3. Dinâmica – variação e oscilações de intensidade dos meios no micro, mesoe macrociclos.


Papel da inteligência artificial e dos sistemas de medição

Sistemas modernos de medição, como Jumptest e Sprinttest, possibilitam o registro objetivo de parâmetros espaço-temporais (altura do salto, tempo de contato, velocidade, aceleração e outros .....).

A integração dos dados de treinamento pelo modelo 3D, com algoritmos de inteligência artificial permite:- quantificar automaticamente as cargas;- monitorar fadiga e estado neuromuscular (prontidão);- planejar e ajustar cargas em tempo real;- otimizar a adaptação a longo prazo, evitando overtraining.

Controle da adaptação: fadiga, regeneração, supercompensação

O modelo físico-mecânico integra-se à concepção da adaptação biológica. Meios de treinamento, quantificados e dosados pelo tempo, criam uma dinâmica ondulatória de cargas que desencadeia períodos de:- fadiga,- regeneração,- supercompensação.

Controle Direto (monitoramento) pelo Jumptest (tempo de contato, RSI com feedback) e Sprinttest acompanham e ajustam carga dos meios executados em on-line.

Controle Operacional pelo Jumptest (salto CMJ, SJ e EUR) permite ajustes da estrutura e dinâmica  dos meios nos ciclos de treinamento e possibilita o planejamento de longo prazo (periodização) com base em dados mensuráveis, em vez de categorias apenas intuitivas. (baseada em opinião).


Apresento aqui um esquema conceitual de treinamento esportivo, fundamentado no novo paradigma 3D.

Conclusões práticas e perspectivas de desenvolvimento.

O paradigma apresentado permite simplificar e, ao mesmo tempo, sistematizar o planejamento do treinamento esportivo.

Suas principais vantagens são:- quantificação inequívoca das cargas.- possibilidade decodificação e catalogação dos meios.- integração com sistemas modernos de medição (JT, ST e GPS).- compatibilidade com algoritmos da inteligência artificial (IA).- aplicação direta-universal no fitness, esporte de alto rendimento e em pesquisas científicas.Esse modelo foi desenvolvido e aprimorado ao longo de muitos anos de pesquisa e prática pelo prof. dr. Leszek Antoni Szmuchrowski, constituindo uma ferramenta prática adaptada para algoritmos da IA e permite o trabalho com atletas de diferentes modalidades.

 

Fontes:

                •             Bompa, T. O. (1999). Periodization: Theory and Methodology of Training. Human Kinetics.

                •             Bosco, C. (1999). Strength Assessment with the Bosco Test. Italian Society of Sport Science.

                •             Buchheit, M., & Simpson, B. M. (2017). Player tracking technology: half-full or half-empty glass? International Journal of Sports Physiology and Performance, 12(s2), S235–S241.

                •             Issurin, V. (2010). New horizons for the methodology and physiology of training periodization. Sports Medicine, 40(3), 189–206.

                •             Matveev, L. P. (1965). Teoria iMetodologiaTreningu. Moskwa: Fizkulturai Sport.

                •             Schmidt, R. A., & Lee, T. D. (2014). Motor Control and Learning: A Behavioral Emphasis. Human Kinetics.

                •             Szmuchrowski, L. A. (2018). Modelowanie fizyczne obciążeń treningowych: przestrzeń, siła i czas jako wymiary fundamentalne. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 40(2), 150–162.

                •             Szmuchrowski, L. A. (2021). Nauka o TreninguSportowym: Systemy, Modele i Zastosowania. Belo Horizonte: Editora UFMG.

                •             Szmuchrowski, L. A. (2022). Sztuczna inteligencja i modelowanie fizyczne w kontroli obciążeń treningowych. Journal of Physical Education and Sport Sciences, 12(3), 45–57.

                •             Verkhoshansky, Y. V. (2011). Special Strength Training Manual for Coaches. Ultimate Athlete Concepts.

                •             Zaciorski, V. M., & Kraemer, W. J. (2006). Science and Practice of Strength Training. Human Kinetics.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page